
Projeto Nova Geração Puro Montanhismo
Canal – Vigia
A primeira montanha do ano foi em ótima companhia, Luiza e Miguel na abertura do Projeto Nova Geração Puro Montanhismo.
Projeto esse que começa com as crianças que estão muito próximas a mim. Meus afilhados Lana e Cauã, minha sobrinha Maya e meus netos Miguel, Matteo e Oliver. Todos na faixa de 1 a 3 anos.
Não sou um avô ou padrinho tradicional, dificilmente me verá levando as crianças ao Parque Barigui ou algo do gênero, enchendo de presentes ou levando ao cinema, posso até fazer uma vez ou outra por motivos maiores, mais é pouco provável.
O que posso e quero oferecer para eles são experiências.
Experiências essas que ficam gravadas na memória. Aprendizados que ajudam na construção de princípios e valores, no entendimento do quanto somos pequenos e ao mesmo tempo o quanto podemos realizar coisas que nem imaginávamos.
O montanhismo consegue ser tão intenso e realista, que não tem como alguém crescer nesse meio sem ter um autoconhecimento diferenciado. Nesse primeiro momento não vou nem entrar da questão saúde, pois subindo montanha acho pouco provável ter problemas de saúde derivados do sedentarismo.
Respeitando o tempo de cada um, a vontade de cada criança, vamos introduzindo aos poucos o montanhismo na vidinha deles. Sem criar grandes expectativas, cada um vai seguir seu próprio caminho à medida que crescerem, meu papel é mostrar esse mundo que sou apaixonado, com tudo que ele oferece, desde seus prazeres, ensinamentos e perigos.
OBS: Aos montanhistas e trilheiros que se animarem em levar suas crianças para a montanha, lembrem que nenhuma montanha é passeio simples como em um parque urbano. Todo o cuidado é importante e tenha a certeza que está preparado para fisicamente e tecnicamente para levar os pequenos.
O Circuito Morro do Canal – Vigia quase não saiu por causa do mau tempo. Com nuvens carregadas e cara de chuva a qualquer momento, fiquei na dúvida se daria certa nossa programação.
O tempo nada favorável acabou inibindo muita gente pelo jeito, encontramos poucas pessoas durante a subida e isso é bem difícil de acontecer nessa trilha.
A subida foi bem tranquila, muito cuidado com a trilha que tinha vários pontos molhados que poderiam escorregar. No cume, apesar de pouco tempo exposto ao vento, fico curioso no que o Miguel pensa e olha com tanta atenção ao redor. Ele tenta falar várias coisas, aponta para o horizonte, eu sempre concordo com ele, mas até agora não consegui entender o que ela “fala”.
Seguindo a trilha para o Vigia, cruzamos com uma turma de adolescentes que estava fazendo o mesmo caminho inverso. Sentado em uma pedra, um dos rapazes abria um pacote de bolacha Club Social. O Miguel foi o primeiro a ver o pacote de bolacha e imediatamente esticou a mão pedindo uma e balbuciando alguma coisa do tipo “ Me dá um desse Tio!”
Acho que devia ser a única coisa que o rapaz levou, pois cagou para o Miguel e enfiou o biscoito todo na boca, a Luiza educada falou para o Minininho, que estava com uma cara de poucos amigos, “ Já vamos fazer um lanche, espera mais um pouquinho só !”
Esse trecho foi um pouco mais chato, eu tinha que andar sempre bem agachado para a vegetação agora mais densa não pegar no rosto do Miguel e acabar arranhando ele. As pernas com um machucado ou outro não tem problema, mais é sempre bom proteger a cabeça.
A descida do Vigia tem muitas gretas e pequenas caverninhas, lugares muito bons para contar histórias para crianças. A casa da onça, aonde a bruxa dorme, lugar onde as aranhas trabalham … até em um buraco maior saiu a “toca do urso”.
Mais ao final da trilha ao cruzar um pequeno córrego, o que era somente para lavar o rosto e brincar de jogar gravetos na água acabou resultando em um tênis molhado.
Um domingo animado e muito divertido com o Minininho que sempre aproveita o passeio na montanha.
Obrigado Luiza pelo cuidado e atenção com o Miguel.