Primeira montanha com Oliver … um sonho antigo!

Primeira montanha com Oliver … um sonho antigo!

30 de março de 2025 2 Por Natan

Pensei que demoraria um pouco mais para levar meu neto mais novo para a montanha.
Oliver é meu terceiro neto, filho do meu primogênito Gabriel com sua esposa Daniela Cequinel.

Miguel, o neto mais velho, teve sua primeira experiência no Morro do Canal. Matteo, o neto do meio, subiu comigo no Anhangava, só com o vô e o irmão. E agora chegou a vez do netinho mais novinho.

Alguns anos atrás, mais precisamente em 2012, idealizei — ou melhor, sonhei — em um dia estar com meu neto, ou agora, netos, no cume do Pico Maior.

Naquele ano, escalei pela primeira vez em Salinas, no Rio de Janeiro. Encarei a clássica Via Leste do Pico Maior — 700 metros de escalada, a maior que já havia feito até então.
Lembro nitidamente: estava me equipando na base com o Otaviano. Ambos nervosos, ansiosos com o desafio que nos aguardava.

Enquanto conferíamos os equipamentos e tentávamos nos concentrar, chegou uma dupla que faria a mesma via. Um senhor de idade avançada — chutei uns 65 anos — e um jovem, que imaginei ser o guia contratado para levar o “cliente” até onde aguentasse.

Como tínhamos chegado antes, começamos a escalada. Durante uma troca de guiada, comentei com o Otaviano:
— Até onde será que o velhinho vai?

Pois é… meu preconceito juvenil durou pouco. A dupla seguia o mesmo ritmo que nós, e mais que isso: estavam dividindo as guiadas. Sim, o “velhinho” que eu achava que estava só passeando era, na verdade, um baita escalador, técnico, firme, seguro. Se deixasse, passava por mim e pelo Otaviano dando risada.

Fomos praticamente juntos até o cume. Lá no alto, o rapaz mais novo parabenizou o senhor — era aniversário dele.

— Parabéns! Isso que é comemoração!
Perguntei logo:
— Quantos anos o senhor está fazendo?

— Cinquenta. — respondeu ele, ajeitando seus equipamentos.

Fiz uma cara de espanto, porque ele parecia bem mais velho. Aí ele completou:
— Cinquenta anos de montanha.

Parabéns de novo. Fiquei abismado. Perguntei o nome.
— Jean Pierre — disse, com um sorriso sereno.

Na descida, eu virei uma criança. Fiquei grudado nele, perguntando, ouvindo histórias. Descobri que Jean Pierre era um dos conquistadores da via Lagartão no Pão de Açúcar. Uma referência viva da escalada nacional. Enchi tanto o saco dele que, algum tempo depois, ele até me mandou o livro que escreveu.

Aquele dia ficou marcado: minha primeira grande parede, um dos lugares mais tradicionais da escalada no Brasil, e o encontro com um escalador completando 50 anos de montanha com desenvoltura, técnica e serenidade.
Ali, nasceu o sonho: um dia, quero estar assim, ativo, forte, e com meus netos ao meu lado, escalando.
Hoje, isso já não parece tão distante.
Peço a Deus que me dê condições de, em 2043, comemorar meus 50 anos de montanha com os meus netos em uma grande parede.

E então, chegou o dia do Oliver

Os anos passaram. Muita coisa mudou. Alguns planos também. Mas a essência daquele sonho continua intacta.

Nesse domingo, foi a vez do Oliver subir sua primeira montanha. Com apenas seis meses, já parecia pronto para estar no cume.

Diferente da vez do Matteo, que foi só com o avô e o irmão, agora a família toda estava junto. Os primos mais velhos se apossaram das mochilas. Sobrou para o Menino Vikings — chamo ele assim pelos olhos incrivelmente azuis — o canguru, colado no peito do vô. Molhado de suor, é claro.

O dia estava lindo. Céu azul, temperatura agradável.
A vó mais linda e jovem do mundo (Luiza) ficou responsável pelo Matteo — ele exige atenção constante, sempre inventando alguma coisa e mexendo onde não deve.
Eu levei o Miguel na mochila e o Oliver na frente. A questão nem era o peso, mas caminhar reto, estável, para não sacudir tanto as crianças.
Os pais (meus filhos e noras) ficaram com a missão de não dar trabalho, afinal os pequenos já exigem muita atenção.

A subida foi tranquila. Matteo e Miguel se divertiam conversando em um idioma só deles. Era engraçado ouvir, mesmo sem entender nada.

Oliver, na frente, estava atento a tudo. Olhava para cima, sorria, balbuciava coisas para as árvores. Era como se eu nem existisse ali — o mundo ao redor era bem mais interessante que o vô.

No cume do Anhangava, hora de dar atenção aos pequenos: troca de roupa, comida, água, liberdade para brincar um pouco depois de tanto tempo “presos”.

Oliver estava ensopado do meu suor, mas continuava sorridente, curioso com tudo.

Na volta, paramos na Pedra do Almoço. Hora dos pais escalarem um pouco também.
As crianças tiraram um cochilo e logo estavam explorando tudo de novo.

Com o grupo cansado, dei início à descida. Não queria ninguém na trilha à noite.
A volta foi animada: um arranhão aqui, outro ali, mas nada fora do normal para um dia inteiro na montanha.

E o Oliver? Não chorou, não reclamou. Só precisa de duas coisas: fralda trocada e mamá na temperatura certa. Do contrário, aí sim ele reclama — com razão.

Obrigado, Deus, por me permitir viver esse dia com as pessoas que amo, fazendo o que amo.
Obrigado, minha família, por estarem juntos e confiarem em mim com o que há de mais precioso.
E obrigado, Jean Pierre — mesmo sem saber, você me mostrou que sim, é possível.

A vô mais linda que já conheci (Luiza) carregando o Matteo. Eu levando Miguel e Oliver.

Família pronta para subir.

Na subida das escadinhas do Anhangava.

Carregando os pequenos!

 

 

Toda família no cume do Anahangava.

A família do meu primogênito.
Gabriel, Daniela e Oliver.

A família do meu mais novo. Rafael, Laryssa, Miguel e Matteo.

No cume, Oliver estava mais interessado na orelha do vô do que tirar foto.
Vô Natan e Vó Luiza.

Vô, pais e netos.
Miguel, Matteo, Oliver, Rafael, Natan e Gabriel.

Um descanso para o Menino Viking.

Hora do soninho.

Rafael escalando a via Transversal.

Miguel entendendo o que é aderência.

Minha nora Laryssa em sua primeira escalada.

Oliver estava experimentando de tudo.

Gabriel na via Andorinhas.

Miguel, o mais experiente entre os netos.

Nora Dani na Andorinhas.

Gabriel na via Transversal.

Eu e Jean Pierre no cume do Pico Maior em 2012.

Dedicatória de Jean Pierre em seu livro “Horizontes Verticais”.