Travessia Marins – Itaguaré

Travessia Marins – Itaguaré

19 de junho de 2025 4 Por Natan

Nos últimos anos temos um evento no Paraná chamado Interclubes. Reunimos todos os clubes de montanha para realizar atividades juntos, seja caminhando ou escalando. Essa união fortalece o montanhismo no estado e enriquece a vivência dos participantes por meio da troca de experiências, já que cada clube tem um perfil diferente.

Neste ano, conseguimos organizar o evento fora do Paraná. Aproveitando o feriado de 4 dias, seguimos para uma das travessias clássicas do país: Marins – Itaguaré, localizada ao norte de São Paulo, na divisa com Minas Gerais.

Não estou muito acostumado a organizar viagens para grupos grandes. Uma coisa é planejar para 5 ou 8 amigos, outra é para 30 montanhistas. A dinâmica muda completamente. Na verdade, quem fez o Interclubes acontecer este ano foi a Noemi. Pessoa fantástica, animada e muito organizada. Desde o planejamento, passando pelos cuidados com os detalhes e pela preocupação com o bem-estar de todos, pensou em coisas que eu nem teria notado. Foi um grande aprendizado dividir essa responsabilidade com alguém tão dedicada.

Saímos de Curitiba em um micro-ônibus na quarta-feira à noite, véspera do feriado, com previsão de chegada às 9h. Claro que atrasou… O motorista escolheu um caminho estranho passando por São Paulo, pegamos trânsito intenso na Dutra logo cedo, erramos algumas entradas nas estradas de terra e, em uma delas, tivemos grande dificuldade para manobrar o ônibus e voltar ao caminho correto. O perrengue faz parte …

Tradicionalmente, a travessia Marins – Itaguaré tem início no Acampamento Base do Marins, que oferece ótima estrutura: estacionamento, refeições, banheiros e hospedagem. Seu Dito, proprietário do local, já nos aguardava. O que seria café da manhã virou praticamente almoço, enquanto todos ajustavam suas mochilas para iniciar a caminhada.

Tínhamos alguns rádios entre o grupo e combinamos de nos comunicar nas horas cheias para atualizar o progresso até a base do Marins, onde faríamos o primeiro acampamento. Com tantas pessoas, é impossível caminhar todos juntos.

Após a foto oficial com todos os integrantes do Interclubes 2025, comecei a trilha com a Luiza por volta das 13h. À frente, puxavam a fila os amigos Guga e Josi. O primeiro ponto de referência foi o Morro do Careca. A trilha estava bem marcada e sinalizada, sol forte, mas cada parada para fotos ou água trazia também o vento frio, que rapidamente esfriava o corpo.

A região é bem diferente do que estamos acostumados no Paraná. Predomina o terreno rochoso, com vegetação baixa e visual aberto — ótimo para orientação, mas perigoso caso o tempo feche. Nessa situação, a neblina pode dificultar muito a navegação. É bom se preparar para uma situação dessa antes de entrar na travessia.

Eu e a Luiza carregávamos 8 litros de água para o jantar e para a caminhada até o próximo ponto de abastecimento (que seria no próximo dia), logo após o cume da Pedra Redonda. Subimos pesados, mas mantivemos um ritmo tranquilo. Ficar parado descansando era um desafio contra o frio.

A trilha contorna as paredes rochosas pela esquerda, sempre bem marcada e com placas numeradas instaladas pelos bombeiros para auxiliar em casos de resgate. Essa sinalização trouxe segurança de que estávamos no caminho certo.

Ao alcançar uma crista com áreas de camping, encontramos o Guga e a Josi já com a barraca montada ao lado de outro casal, Fred e Juliana, que haviam reservado espaço para mim e a Luiza. Isso era por volta de 16h30. Montamos rapidamente a barraca e seguimos leves até o cume do Marins, com lanterna, água e anoraque.

A subida exigiu mais atenção para não perder os totens de marcação, mas em 40 minutos estávamos no cume. O vento gelado obrigou a vestir os casacos imediatamente. O visual recompensava: horizonte aberto, cidades acendendo as luzes e o sol se pondo. Ficamos pouco tempo no topo — o frio não perdoava.

No dia seguinte, cedo, já havia movimento para o café. A caminhada começou confusa, mas logo o caminho ficou evidente até o cume do Marinzinho. O grupo naturalmente se dividiu em pequenos subgrupos, espalhando-se pela trilha sob um céu azul e frio agradável.

Na descida para a Pedra Redonda, havia uma corda fixa em um trecho íngreme. Nada complicado, apenas exigia cuidado para não deixar a cargueira desequilibrar o corpo durante a descida.

Após o cume da Pedra Redonda, seguimos para o ponto de água mais importante da travessia. Após descer um pouco do cume, vai encontrar uma clareira de acampamento, passando por ela seguindo a trilha, uns 3 minutos a frente vai encontrar uma saída a direita.

A trilha até a água está bem pisoteada e não tem como errar muito, uns 3 ou 4 minutos saindo da trilha principal vc vai chegar em algumas pedras que tem um pequeno córrego para pegar água.

Abastecidos, seguimos em frente agora com o objetivo de achar um bom lugar para acomodar uma parte dessa galera. O Guga que estava à frente avisou por rádio que tinha passado por uma área de camping com a possibilidade de várias barracas, mas tinha outra um pouco mais à frente do outro lado do vale. Seria melhor deixar essa área que ele viu para o grupo que estava mais atrás e chegaria um pouco mais tarde.

Às 16 horas estávamos nas clareiras que o Guga sugeriu montando barraca e se preparando para uma noite bem fria.

Aos poucos a galera do Interclube foi chegando e se acomodando. Avisamos o pessoal do CPM que estava um pouco mais atrás sobre a possibilidade de ficarem nas clareiras antes de atravessar o vale, pois onde estávamos, estava tudo lotado.

Pôr do sol animado com a galera, agora toda atenção voltada à preparação da janta enquanto a resenha gerava muitas gargalhadas tomando um bom vinho.

 

Pela manhã aprontamos tudo para nosso último dia de caminhada. Já avistávamos o cume do Itaguaré muito próximo e o dia continuava bonito, apenas com o agravante do vento ter aumentando consideravelmente.

A trilha para chegar no Itaguaré era bem óbvia e fácil de se orientar, as placas do bombeiro com numeração ajudam a certificar que estamos na trilha correta. Se não me engano levamos umas 2 horas para chegar na base do Itaguaré onde encontra a outra trilha que vem lá de baixo.

 

Estávamos em uma turma grande, alguns subiram para o cume enquanto outros aguardavam cuidando das mochilas cargueiras, pois o ataque ao cume é bem rapidinho.

O caminho é curto, mas com alguns lances expostos de pedra. O “Pulo do Gato” e algumas outras partes mais íngremes, pode gerar dificuldade para quem não está muito habituado subir somente por pedras.

O cume do Itaguaré é fantástico, dava pra ver quase toda travessia que fizemos, a Serra Fina e ao fundo o Itatiaia.

A visita no cume foi rápida, ventava muito e estava muito frio, derrubando a sensação térmica. No retorno encontrei a Noemi com mais alguns integrantes da AMC, quando descobri que não iriam até o cume por causa do Pulo do Gato que ventava muito e dava uma insegurança, fiz questão de ajudar a passar aquele trecho e acompanhar o grupo até o cume.

Na base do Itaguaré esperamos todos do Interclubes agrupar para a última foto oficial do evento antes de iniciar a longa descida.

O retorno até o final da trilha é uma descida íngreme e longa, não vi problema em orientação, somente pontos da trilha que estão bem detonados se tornando lugares muito escorregadios.

A trilha acaba em uma área ampla, toda gramada com vários carros estacionados. Guga e Josi chegaram antes e já estavam com uma cerveja gelada na mão aguardando a chegada dos amigos.

Linda travessia, muito legal e diferente pra mim. Estar em uma viagem com tantas pessoas foi uma experiência nova. O Interclube de 2025 foi muito bem sucedido e divertido.

Agradeço a todos que fizeram parte dessa travessia e imensamente à Noemi pela dedicação e pela parceria. A união entre os clubes do Paraná mostra a força do nosso montanhismo: organizado, autossustentável e em constante crescimento.

 

Interclubes 2025. Integrantes dos clubes, CPM – Clube Paranaense de Montanhismo, AMC – Associação Montanhistas de Cristo, NNM – Nas Nuvens Montanhismo e CUME – Clube União Marumbinismo e Escalada.

Inicio da caminhada!

Placa informativa no inicio da trilha.

Luiza no Morro do Careca.

A subida segue por essa crista até o morro do esquerda.

Uma foto mais próxima do mesmo lugar.

Natan e Luiza.

Casal se arrumando …

Cume do Marins.
Ao fundo cume do Itaguaré.

Casal Natan e Luiza no cume do Marins.

Pôr do sol na descida do cume.

Marins visto do nosso acampamento na base.

Café da manhã do segundo dia.

Inicio do segundo dia rumo ao cume do Marinzinho.

Guga e Josi … grandes amigos!!!

Cume do Marinzinho.

Pedra Redonda a frente.

Cume do Marinzinho. A trilha desce bem de frente.

Cume Pedra Redonda.

Um dos acampamentos que passamos.

Da onde foi tirada a foto é um local para acampamento, passando esse primeiro vale tem outro local para acampamento muito bom também e foi onde ficamos a segunda noite.

Natan.

Pôr do sol com o Itaguaré ao fundo.

Pôr do sol animado!

Noite bem gelada …

Café da manhã animado!

Terceiro dia, a última montanha cada vez mais perto.

Na foto não parece, mas essa passagem não expira muita confiança. É só uma grande pedra entalada com abismo para os dois lados e no dia ventava muito. Não é difícil, mas não pode vacilar.

Cume do Itaguaré.

O outro lado do Itaguaré é bem vertical.

Casal no cume do Itaguaré

Galera reunida na base da subida.

Última foto oficial do Interclubes na base do Itaguaré.

Final da travessia regada a cerveja e petiscos mineiros!!