Montanhas do Caparaó – Pico da Bandeira, Pedra Roxa, Calçado e Pico do Cristal.
O Pico da Bandeira, a terceira maior montanha do Brasil, fica localizado na divisa dos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Em seu entorno encontram-se outras montanhas de elevada altitude que também compõem os maiores cumes do país, todos dentro do Parque Nacional do Caparaó.
A última vez que estive nessas montanhas foi em meados de 2006. Na época, fizemos cinco cumes de ataque, tentando aproveitar ao máximo o único dia que teríamos no parque. Infelizmente, o tempo não estava dos melhores e a visibilidade nos cumes foi quase nula.
Há muito tempo eu tinha vontade de retornar com tempo bom, para realmente aproveitar os cumes mais altos que temos no Brasil. Dessa vez, nos hospedamos em Alto Caparaó, uma cidadezinha simpática, acolhedora e com tudo que precisávamos.
A previsão para o nosso dia de caminhada estava muito boa. Estava quente, mas não insuportável para um mês de dezembro, ainda mais levando em conta uma região tão alta, que acaba sendo naturalmente mais fresca.
Na entrada do parque fizemos o cadastro e informamos para onde iríamos. A única exigência foi a lanterna de cabeça, que fizeram questão de conferir. Parece uma atitude meio chata, mas se todos os parques exigissem lanterna e pilha reserva, não teríamos tantos problemas com pessoas ficando sem luz no retorno. E vale lembrar: celular não é lanterna. Se você insiste em usar celular como lanterna na montanha, você é um animal retardado que logo vai precisar que alguém te resgate.
São cerca de 6 km de estrada bem íngreme da portaria do parque até o estacionamento conhecido como Tronqueira. Nosso carro é baixo, até subiu, mas exigiu bastante do veículo.
Depois da preparação básica — conferir equipamentos, passar protetor solar e organizar a mochila — começamos a caminhar por volta das 9 horas da manhã. O parque é muito bem estruturado e tem placas informativas para tudo. O início da trilha é bem marcado e sinalizado.
Caminhávamos em um ritmo constante, sem exagerar. O dia seria longo e tínhamos bastante coisa pela frente. A trilha acompanha um rio muito bonito, com vegetação baixa e visual o tempo todo.
Por volta das 10h40 chegamos ao Terreirão, local de camping com boa estrutura, banheiros e área de cozinha. Comemos alguma coisa e pegamos mais água para o próximo trecho.
Seguindo em direção ao cume do Pico da Bandeira, a trilha continua bem batida e com sinalização clara praticamente o tempo todo. Existe um trecho mais íngreme, com várias rampas diretamente na rocha, até que começamos a avistar o cume do Bandeira e as montanhas ao redor.
Logo o terreno fica mais plano e é nesse ponto que saímos da trilha principal para atacar o cume do Pedra Roxa.
Em 2006 eu tinha feito o caminho inverso: saí do cume do Bandeira em direção ao Pedra Roxa. Lembro que foi uma caminhada pesada, descendo bastante para depois subir tudo de novo. Dessa vez resolvi mudar a estratégia: subir primeiro o Pedra Roxa e depois seguir em linha lógica e direta até o Bandeira.
Como a vegetação é baixa, dá para ter uma boa leitura de todo o percurso. Eu tinha um tracklog como referência, mas já sabendo que poderia mudar a linha se aquilo não fizesse sentido.
A descida até o vale antes do Pedra Roxa foi tranquila. Cruzamos um riozinho e abastecemos água novamente. A partir dali o caminho ficou ruim, sem lógica, entrando num mato horroroso de caminhar, enquanto do lado esquerdo eu via claramente uma encosta de pedra limpa, perfeita para progredir.
Chegou um momento que cansei daquilo. Avisei a Luiza que mudaria o percurso e tocaria direto para as lajes de pedra. Em cerca de 15 minutos já estávamos fora do mato e caminhando sobre rocha, com ritmo muito mais rápido e agradável.
Às 14h chegamos ao cume do Pedra Roxa. Foram 1h15 desde o rio até o cume, uma subida desgastante.
O Pedra Roxa é a 13ª maior montanha do Brasil, com 2.649 metros de altitude, e tem um visual muito bonito do Pico da Bandeira. De frente ainda vemos o Tesouro, Tesourinho e a Cruz do Negro.

Ao fundo acredito que seja o cume do Tesouro e Tesourinho. Caso não seja por favor faço um comentário no post.

Seguir com o objetivo de chegar no colo parecia uma boa ideia enquanto andava nessa laje, logo a frente já não valia mais a pena.
Comemos algo mais reforçado antes de seguir. Eu lembrava que a orientação até o Bandeira deveria ser mais tranquila, com vários totens de pedra marcando o caminho.
Saindo do cume, existe um rastro de trilha visível, mas nada muito evidente. No colo entre as montanhas não encontramos nenhuma sinalização clara. Observando de onde estávamos, a subida se mostrava muito íngreme, quase vertical em alguns pontos. Resolvi seguir pela direita desse trecho.
A subida é puxada e não dá trégua, mas sem riscos maiores. Ganhávamos altura rápido, sempre sobre um mar de pedras, sem zigue-zague, só tendência à direita e depois à esquerda, escolhendo os trechos mais fáceis.
Às 15h50, depois de 1h30 de caminhada, chegamos ao cume do Pico da Bandeira. Dia bonito, com visual aberto, mas com cara de que poderia fechar a qualquer momento.
O Pico da Bandeira tem 2.892 metros de altitude, é a terceira maior montanha do Brasil e o ponto culminante tanto do Espírito Santo quanto de Minas Gerais, já que o cume fica exatamente na divisa dos estados.
Ainda tínhamos mais planos e o tempo começava a apertar. Por volta das 16h30 saímos do cume em direção ao Pico do Calçado. Esse cume já figurou entre os maiores do Brasil, mas hoje é considerado apenas um subcume do Bandeira. Mesmo assim, serve como bom ponto de referência.
Levamos cerca de 20 minutos até o “cume” do Calçado.
Dali até o Pico do Cristal não tem segredo, mas é fundamental prestar atenção aos totens de pedra. Na descida, cuidado com a bifurcação: à esquerda segue para a Casa Queimada (acampamento do lado capixaba) e à direita para o cume do Cristal.
A descida até o vale é rápida. A subida do Cristal já é mais íngreme e com alguns trechos expostos, exigindo atenção, principalmente na volta.
Às 17h35 chegamos ao cume do Pico do Cristal, com seus 2.769 metros, o sexto maior cume do Brasil. Finalizamos todas as montanhas que havíamos planejado.
Ficamos só uns 10 minutos no cume. O tempo fechou, esfriou e as nuvens pareciam trazer chuva. Além disso, já estava tarde e logo ficaríamos sem luz.
Na descida do Cristal existe um caminho à esquerda, marcado por totens, que segue em curva de nível e contorna até reencontrar a trilha principal bem abaixo do Pico da Bandeira. Isso evita ter que subir tudo de novo.
Caminhávamos rápido para aproveitar o máximo de luz. Se anoitece ou entra uma neblina forte nessa região, a orientação fica realmente complicada, principalmente para quem não tem experiência.
A noite nos pegou quase chegando na trilha principal. Lanternas boas fizeram toda a diferença. Mesmo com neblina leve, erramos poucas vezes.
Às 19h10 chegamos na trilha principal, a cerca de 15 minutos do Terreirão. Dali era só seguir tranquilo até o carro.
De repente o céu abriu e dava para ver ao longe uma tempestade cheia de raios. De fora é bonito. Só não é legal estar dentro.
Quando iluminei o estacionamento e vi que só tinha sobrado o nosso carro, já eram 20h.
Cansados, com fome, mas muito felizes depois de 11 horas de caminhada entre as montanhas fantásticas do Caparaó. Uma baita ideia de passeio para um casal montanhista em plena lua de mel.
Confira o vídeo dessa caminhada:










































