Morro do Canal: Três Netos, Um Cume e o Fim de uma Fase!

Morro do Canal: Três Netos, Um Cume e o Fim de uma Fase!

24 de janeiro de 2026 1 Por Natan

No dia a dia, a gente quase nunca sabe quando está fazendo algo pela última vez. Mas neste fim de semana percebi que um ciclo estava se encerrando — e rápido demais para o meu gosto.
A constatação? Levar os três netos juntos para a montanha.

A Luiza, sempre empolgada e parceira, dividia o trabalho de levar as crianças. Ela subia com um neto nas costas e mais a carga pesada. Eu levava os outros dois: um nas costas, na mochila, e outro na frente, no canguru. Era cansativo, mas sempre dava certo.

Nesse sábado levamos os três para o Morro do Canal, seguindo a mesma logística de sempre. O tempo não estava lá essas coisas, mas a previsão indicava apenas possibilidade de chuva depois das três da tarde.

Com as crianças instaladas em seus devidos assentos, começamos a subida. A trilha estava bem molhada, o tempo fechado. Os três conversavam entre si o tempo todo — eu quase nunca entendia nada, mas de vez em quando vinham risadas altas, fruto de alguma piada interna que só eles sabiam.

Estar com eles na montanha é um momento único e muito divertido.
Mas também carrega uma responsabilidade enorme. Existe uma tensão silenciosa o tempo todo. Não dá para errar: não pode pisar em falso, calcular errado um passo, muito menos escorregar quando se está com uma criança pequena nas costas — imagine com duas.

Os pais sempre confiaram em deixar que eles estivessem conosco na montanha, e nós sempre honramos esse privilégio.

O Canal é uma montanha tranquila, fácil e rápida. Mas dessa vez foi diferente.

O Matteo, que estava com a Luiza, é o mais pesado. Falante e curioso, fica o tempo todo se jogando para os lados para ver tudo ao redor — o problema é que, a cada movimento, ele desequilibra quem está carregando.

O Oliver, o mais novo, vai no canguru. Hoje já pesa 10 kg e está grandinho. Subir degraus com ele na frente não é nada simples.

O Miguel é o “chassi de grilo”: ainda é o mais leve dos três e não fica fazendo bagunça. Vai tranquilo, trocando ideia, mas, querendo ou não, também já está ficando pesado.

Na metade da subida, fiquei na dúvida se chegaríamos ao cume. Pesados, com a trilha molhada e escorregadia, não estava nada fácil subir com o trio.

E foi nesse momento, refletindo que aquela poderia ser a última vez que estaríamos só nós cinco naquela configuração, que decidi seguir até o cume. Queria fechar esse ciclo do começo ao fim.

Claro que, quando estiverem maiores e caminhando sozinhos, estaremos os cinco em muitas montanhas por aí — talvez até em alguma parede. Mas essa fase aqui se encerra. Caminhadas curtas ainda serão possíveis, mas subir montanha até o cume, carregando todos, já não.

Ainda resta o resquício de levar um de cada vez, mas logo isso também não vai mais rolar.

No cume, o que eles mais queriam era comer. O Miguel, mesmo sendo o mais magrinho, é o que mais come — já perguntava pelo lanche desde a subida.

Depois de alimentados, hidratados e com fraldas trocadas, começamos a descida, que sempre é o momento mais tenso. A rocha estava pouco aderente, e descer até os degraus exige muita atenção quando se tem carga viva nas costas.

Não demorou muito e todos dormiram, mesmo com alguns solavancos. Uma dormidinha rápida que terminou antes mesmo do fim da trilha — já acordaram perguntando pelo pastel prometido.

Com essa fase de carregar os meninos na montanha chegando ao fim, é hora de entrar em uma nova etapa. Um novo estímulo, um novo exemplo: a escalada.

No domingo, aproveitando o embalo, levamos a turma para o Setor do Macarrão, em Ponta Grossa — um local de escalada esportiva, com base tranquila e confortável para crianças.

No início do dia, quando perguntei se queriam escalar, ninguém quis. Já no meio da tarde, eram eles que estavam pedindo para subir.

Talvez esteja chegando a hora de começar a apresentar a rocha, a cadeirinha, a corda, o mosquetão…
Sempre respeitando o tempo e o temperamento de cada um.

Os três se dão muito bem, se entendem, mas são completamente diferentes entre si.

Eu e a Luiza fazemos a nossa parte: mostramos algo novo, damos o exemplo e cuidamos deles.
Mas, no fim, cada um vai seguir o seu próprio caminho.

Luiza com os meninos depois da seção protetor solar.

Matteo, Natan, Oliver, Miguel e Luiza.
Todo mundo pronto e animado para subir.

Luiza com Matteo.

Miguel atrás e Oliver na frente na subida do Morro do Canal.

No cume do Canal, Luiza se encarregou de dar comida para todo mundo.

Ainda consigo com os três.

Piazada se atracando nas guloseimas.

Todo mundo dormindo na descida.

Miguel com o pai Rafael pendulando um pouco para começar a perder medo.

Enquanto uns escalam …

… outros brincam com terra.

Familía reunida para escalar.
Neto Matteo, filho Rafael, filho Gabriel, neto Miguel, Natan, neto Oliver e esposa Luiza.