Via Transbaú – Uma das Clássica da Pedra do Baú

Via Transbaú – Uma das Clássica da Pedra do Baú

5 de junho de 2026 0 Por Natan

A Via Transbaú é uma das grandes clássicas do Complexo do Baú e, atualmente, uma das maiores vias de escalada da montanha.

Localizada na face norte da Pedra do Baú, possui uma aproximação relativamente fácil. Chegando na base da via ferrata da Pedra do Baú (escadarias do acesso principal), uma trilha secundária segue para a esquerda. Caminhando por ela, margeando a parede norte por pouco mais de 100 metros, encontramos o início da via.

A Transbaú (5º sup VIIa E3 D3 – 280 metros) é dividida em 8 enfiadas. Um jogo de peças móveis do 0.3 ao 4 é mais do que suficiente para a escalada.

Nesse dia estávamos em um grupo grande, com seis pessoas, e dividimos a cordada em dois trios. Juliano Pereira, Alisson Contrin e Marcelo Marques, o Capitão, entraram primeiro na parede. Logo atrás seguimos eu (Natan), Luiza e Daniel Zacharias, nosso anfitrião durante esses dias no Complexo do Baú.

O Daniel esteve no Paraná alguns anos atrás. Na época escalamos juntos no Marumbi e, na Sede Vitamina do Nas Nuvens Montanhismo, sempre comemoramos as escaladas com cerveja e churrasco noite adentro.

Dessa vez foi a vez do Clube Alpino Paulista abrir as portas da sua sede para uma interação entre os clubes.

Voltando para a escalada…

A primeira enfiada tem orientação simples, com bastante aderência e alguns regletes até a P1. A parada possui uma chapa e precisa ser complementada com uma peça móvel para ficar montada.

Quando cheguei na P1, a piazada ainda estava na maior movimentação, comentando e reclamando alguma coisa. Pedi espaço naquele platô apertado para conseguir dar segurança aos dois que vinham logo atrás.

A segunda enfiada é mista, com colocações móveis fáceis e bem intuitivas.

A Luiza estava animada para guiar e puxou a terceira enfiada, que para mim é a mais complicada em relação à orientação. Existe apenas uma chapa em uma enfiada de aproximadamente 60 metros.

A linha passa por um trecho de vegetação onde a rocha fica mais clara. Quando a corda esticar bastante e você chegar de frente para uma parede mais vertical, a parada estará mais à esquerda.

A quarta enfiada, para mim, é uma das mais bonitas e legais da via. Proteções mistas, oposição, aderência e navegação deixam esses 50 metros muito divertidos.

A quinta enfiada é a mais difícil. Tem movimentos mais atléticos, algo que não estou tão acostumado a fazer. No trecho mais difícil a proteção é móvel.

Fiz em oposição, e no trecho final, saindo da oposição com a esquerda em uma agarra escondida em cima. Talvez não tenha sentido agora no que estou tentando explicar… mas lá talvez faça, rsrsrs.

Da P5 é possível esticar até a P7, ficando até melhor. Essas duas enfiadas podem ser feitas em uma única, formando uma grande diagonal para a esquerda. É fácil, com boas possibilidades de melhorar as proteções utilizando algumas peças.

A última enfiada não tem muito segredo. É bem protegida e evidente. O crux fica na saída da última costura, com uma movimentação em regletes que finaliza a via em um bonito lance.

Particularmente, gosto muito dessa escalada. Para mim, é uma das linhas mais legais do Complexo do Baú até o momento.

A via é muito variada: mistura diferentes estilos de escalada, exige orientação e uma boa leitura de parede, mas também permite abandonar em alguns pontos caso aconteça algum problema. Existe até uma variante na altura da P6 que sai direto para as escadinhas.

A Transbaú termina no cume da Pedra do Baú, entregando aquele visual clássico e especial que só o Baú proporciona.

Tire o dia para essa escalada e comece cedo.

Lembre que esse tipo de atividade não é um passeio no parque. Leve lanterna, anorak, água, comida, um kit básico de primeiros socorros e, principalmente, escale com pessoas em quem você confia.

Aproveitem essa linha, é uma escalada muito divertida!

Boas escaladas!

Nas Nuvens Montanhismo e Clube Alpino Paulista.

Inicio da via.

Base da via Transbaú

A minha cordada com Luiza e Daniel (camiseta branca)

Segunda enfiada.

Luiza puxando a terceira enfiada, a mais difícil em orientação.

A passagem entre o mato fica um pouco a direita da Luiza no platô de cima.

O trio da frente passando o crux.

Natan e Luiza na P5.

Eu, Luiza e Daniel na P5.

A transversal entre a P5 e a P7

Na última parada já no cume fazendo a segurança.

Eu e a Luiza no cume da Pedra do Baú.

Cume do Baú já no final do dia.