Morro do Canal: Três Netos, Um Cume e o Fim de uma Fase!
No dia a dia, a gente quase nunca sabe quando está fazendo algo pela última vez. Mas neste fim de semana percebi que um ciclo estava se encerrando — e rápido demais para o meu gosto.
A constatação? Levar os três netos juntos para a montanha.
A Luiza, sempre empolgada e parceira, dividia o trabalho de levar as crianças. Ela subia com um neto nas costas e mais a carga pesada. Eu levava os outros dois: um nas costas, na mochila, e outro na frente, no canguru. Era cansativo, mas sempre dava certo.
Nesse sábado levamos os três para o Morro do Canal, seguindo a mesma logística de sempre. O tempo não estava lá essas coisas, mas a previsão indicava apenas possibilidade de chuva depois das três da tarde.
Com as crianças instaladas em seus devidos assentos, começamos a subida. A trilha estava bem molhada, o tempo fechado. Os três conversavam entre si o tempo todo — eu quase nunca entendia nada, mas de vez em quando vinham risadas altas, fruto de alguma piada interna que só eles sabiam.
Estar com eles na montanha é um momento único e muito divertido.
Mas também carrega uma responsabilidade enorme. Existe uma tensão silenciosa o tempo todo. Não dá para errar: não pode pisar em falso, calcular errado um passo, muito menos escorregar quando se está com uma criança pequena nas costas — imagine com duas.
Os pais sempre confiaram em deixar que eles estivessem conosco na montanha, e nós sempre honramos esse privilégio.
O Canal é uma montanha tranquila, fácil e rápida. Mas dessa vez foi diferente.
O Matteo, que estava com a Luiza, é o mais pesado. Falante e curioso, fica o tempo todo se jogando para os lados para ver tudo ao redor — o problema é que, a cada movimento, ele desequilibra quem está carregando.
O Oliver, o mais novo, vai no canguru. Hoje já pesa 10 kg e está grandinho. Subir degraus com ele na frente não é nada simples.
O Miguel é o “chassi de grilo”: ainda é o mais leve dos três e não fica fazendo bagunça. Vai tranquilo, trocando ideia, mas, querendo ou não, também já está ficando pesado.
Na metade da subida, fiquei na dúvida se chegaríamos ao cume. Pesados, com a trilha molhada e escorregadia, não estava nada fácil subir com o trio.
E foi nesse momento, refletindo que aquela poderia ser a última vez que estaríamos só nós cinco naquela configuração, que decidi seguir até o cume. Queria fechar esse ciclo do começo ao fim.
Claro que, quando estiverem maiores e caminhando sozinhos, estaremos os cinco em muitas montanhas por aí — talvez até em alguma parede. Mas essa fase aqui se encerra. Caminhadas curtas ainda serão possíveis, mas subir montanha até o cume, carregando todos, já não.
Ainda resta o resquício de levar um de cada vez, mas logo isso também não vai mais rolar.
No cume, o que eles mais queriam era comer. O Miguel, mesmo sendo o mais magrinho, é o que mais come — já perguntava pelo lanche desde a subida.
Depois de alimentados, hidratados e com fraldas trocadas, começamos a descida, que sempre é o momento mais tenso. A rocha estava pouco aderente, e descer até os degraus exige muita atenção quando se tem carga viva nas costas.
Não demorou muito e todos dormiram, mesmo com alguns solavancos. Uma dormidinha rápida que terminou antes mesmo do fim da trilha — já acordaram perguntando pelo pastel prometido.
Com essa fase de carregar os meninos na montanha chegando ao fim, é hora de entrar em uma nova etapa. Um novo estímulo, um novo exemplo: a escalada.
No domingo, aproveitando o embalo, levamos a turma para o Setor do Macarrão, em Ponta Grossa — um local de escalada esportiva, com base tranquila e confortável para crianças.
No início do dia, quando perguntei se queriam escalar, ninguém quis. Já no meio da tarde, eram eles que estavam pedindo para subir.
Talvez esteja chegando a hora de começar a apresentar a rocha, a cadeirinha, a corda, o mosquetão…
Sempre respeitando o tempo e o temperamento de cada um.
Os três se dão muito bem, se entendem, mas são completamente diferentes entre si.
Eu e a Luiza fazemos a nossa parte: mostramos algo novo, damos o exemplo e cuidamos deles.
Mas, no fim, cada um vai seguir o seu próprio caminho.

Familía reunida para escalar.
Neto Matteo, filho Rafael, filho Gabriel, neto Miguel, Natan, neto Oliver e esposa Luiza.












Que relato emocionante! Tem ciclos que precisam acabar, mas para novas experiências tomarem conta.
Isso prova que nossas crianças estão crescendo, o tempo passando e nós ficando mais velhos rsrs
Essa nova geração ainda vai dar o que falar nas montanhas.