Chaminé Stop no Pão de Açúcar
A cidade do Rio de Janeiro é um playground para os escaladores, uma diversidade e quantidade de vias que é impressionante. Quando tenho a oportunidade de visitar a cidade, geralmente procuro as vias mais clássicas da região, e a Chaminé Stop (4° IV E3 D3 230 metros) no Pão de Açúcar é uma delas. Já fazia algum tempo que estava na minha lista de escaladas.
Chaminé essa que era uma escalada obrigatória para quem quisesse se formar como guia dos clubes, a chaminé em “L” era o terror dos alunos na época e ainda impressiona muitos que por ali passam.
Aproveitamos nossa estadia no Rio para participar da ATM-2018 (Abertura de Temporada em Montanha), evento de montanhismo na cidade que faço questão de participar todo ano, principalmente esse ano que meu amigo Vitamina está concorrendo ao Mosquetão de Ouro na categoria “Vida na Montanha”. Antes de participar dessa festa eu e minha esposa seguimos logo cedo para escalar no Pão de Açúcar.
Seguimos pela Pista Cláudio Coutinho, entramos na altura 1.150m da pista e subimos uma trilha até quase chegar na parede do Pão de Açúcar, desse ponto é só ir margeando a parede pela esquerda. Acostumado no Paraná que qualquer via de parede é preciso caminhar por horas, aqui, caminhar no máximo 30 minutos para chegar na base da via é um privilégio e ao mesmo tempo estranho, cadê o perrengue? as perdidas na mata? o braço todo arranhado do “vara mato”? entre outras dificuldades …
Caminhada rápida e curta até a Chaminé Stop pela trilha bem definida, já na base nos equipamos e começamos a escalada na clássica via. Habituado a escalar no granito mais abrasivo, leva um tempo para acostumar com a pedra meio lisa do Pão de Açúcar. Logo que cheguei na primeira parada escutei algumas vozes dentro da chaminé. Já na segunda enfiada no meio da chaminé encontrei o grupo que eu escutava, estavam em 3 para escalar e todos já ancorados na parada que fica entre as paredes apertadas, tive que achar um jeito para montar a minha equalização para dar segue à Michelle, depois de um certo malabarismo e numa posição desconfortável consegui dar segurança para minha parceira enquanto ela escalava.
Mais um trecho de escalada e chegamos no Salão Azul, um grande platô bem confortável onde se inicia outra sequência de escaladas em chaminé. Esperamos um pouco o guia do trio subir, e logo que perdemos ele de vista pedi permissão aos dois escaladores que esperavam o terceiro integrante da cordada, para eu e a Michelle seguir nossa escalada na frente deles.
Enquanto eu guiava por dentro daquele labirinto de pedras escutei o guia da outra cordada perguntar para seus companheiros: “trouxeram lanterna? Pois não estou conseguindo ver muita coisa por aqui”. Fiquei surpreso quando escutei, pois não lembrava de ter lido em algum relato a necessidade de lanterna, que na verdade, não foi necessária.
Depois de ter esticado um pouco, seguindo a linha da corda do escalador há frente, vi que a corda passava por dentro de um buraco muito pequeno, não tive dúvida que ali era o Buraco da Galinha descrito no croqui. Nesses momentos você agradece por ter um porte pequeno, buraco bem apertado e desengonçado para passar, logo que passei o lance pensei “ se o Juliano estivesse aqui, não passaria nem fudendo esse buraco”.
Montei minha parada um pouco acima do rapaz que vinha guiando a enfiada do trio de escaladores, a Michelle em pouco tempo estava comigo e a primeira coisa que falou quando chegou foi, “O Juliano não passava nem fudendo naquele buraco”, e nós dois acabamos caindo na gargalhada.
A próxima enfiada era a temida chaminé “L”, escalada na diagonal para a direita até chegar próximo o final da pedra, só ai vc sobe reto para chegar na próxima parada. Acho que na verdade o que deixa o escalador meio cabreiro, é que na medida que você vai chegando na beira da chaminé, se abre um vazio logo abaixo dos seus pés, tendo a impressão que se cair naquele ponto você vai parar na base da montanha.
A última enfiada é em livre com lances bem divertidos de escalar, como não tinha mais chaminé pela frente a Michelle se animou em guiar o final da escalada. Depois uma caminhada até chegar ao cume do Pão de Açúcar e pronto, mais um dia de escalada em uma das vias mais clássicas do Rio de Janeiro.
Meu filho Rafael nos esperava no cume, subiu de bondinho e aproveitou seu primeiro passeio na cidade maravilhosa. Agora era hora de descer e aproveitar a festa da Abertura de Temporada e tomar aquela cerveja gelada.

Descida pelo bondinho. Pra quem escala o Pão de Açúcar pode descer de bondinho até a Urca de graça. Da Urca é só pegar a trilha que é bem tranquila e voltar para a Pista Cláudio Coutinho.

Passeando pela ATM do Rio encontrei o amigo Mascarin, surpresa de encontra-lo usando a camiseta do NNM que demos a ele de presente.

A noite teve a premiação Mosquetão de Ouro 2018. Apresentei os indicados da categoria Montanhismo. Marcos Costa de Teresópolis foi o ganhador do prêmio.
















