Pico Paraná com Oliver: levando mais um neto para a montanha

Pico Paraná com Oliver: levando mais um neto para a montanha

20 de setembro de 2025 0 Por Natan

Nova Geração Puro Montanhismo.

Levar os netos para a montanha é uma das coisas que mais gosto de fazer. Tenho três e aproveito ao máximo cada um deles. Todos começaram a me acompanhar desde muito pequenos. Aos poucos, conquistei a confiança dos filhos e noras para que eles liberassem os pequenos para as nossas caminhadas, e sempre que posso estou caminhando com algum deles.

A Luiza, minha esposa, também é muito animada com os meninos e extremamente cuidadosa. Ela cuida de toda a alimentação e prepara tudo o que eles vão precisar durante o período em que estivermos em atividade.

Algumas vezes vamos com apenas um deles, mas, sempre que possível, gostamos de levar os três para caminhar. Só que essa fase está com os dias contados. Daqui a pouco, o peso deles vai ficar grande demais para conseguirmos carregar os três.

Mesmo tão pequenos, cada um já tem sua própria personalidade, suas manias e seus comportamentos.

O Miguel, o neto mais velho, é bonzinho e sempre prefere ficar com o vô em vez de ir para casa. Então posso inventar qualquer atividade que dure horas, pois sei que não terei problema com criança chorando e querendo ir embora. Tanto, que ele já foi para o Pico Paraná com os avós!

O Matteo é o neto do meio e mais agarrado com a mãe. Com ele, precisamos dosar melhor o tempo que fica longe da maternidade.

Já o Oliver, o mais novo, também é muito agarrado com os avós. Na verdade, mais ainda com a avó, que é paparicadora!

Nesse cenário, e com uma previsão do tempo muito favorável, eu e a Luiza resolvemos levar o Oliver para o Pico Paraná.

Já temos uma boa experiência em carregar crianças na montanha. Todos eles vão direto com a gente e, depois de algumas caminhadas, já temos uma boa noção de como é levar uma criança até o Pico Paraná. Tivemos uma experiência muito boa com o Miguel e também tínhamos uma boa referência do tempo necessário para fazer a caminhada.

Os pais do Oliver, meu filho Gabriel e minha nora Daniela, já sabiam há algum tempo da nossa intenção de levar o pequeno até o ponto mais alto do Paraná. Assim que pedimos, aprovaram de primeira.

A noite anterior à caminhada foi de preparação. A preocupação era não esquecer nada que pudesse fazer falta para o Oliver durante o dia. Comida variada entre frutas, biscoitos, suquinhos e as mais diversificadas guloseimas que estávamos autorizados a dar.

Também separamos roupas extras e tudo o que pudesse proporcionar mais conforto ao pequeno. Estávamos preparados até para uma chuva forte, caso a previsão do tempo tivesse errado.

Não madrugamos para pegar a estrada. Tirar uma criança muito cedo da cama não é uma boa estratégia quando ela não está acostumada.

Começamos a caminhar às 10 horas da manhã. Parece tarde, mas começar mais cedo significaria tirar o Oliver muito cedo da cama, e achamos que não valia a pena.

Na subida do Getúlio, ele já tirou o cochilo da manhã. Tentando deixar tudo o mais aconchegante possível, dormiu uns 40 minutos como se estivesse na própria cama.

O dia estava bonito, mas também estava quente. Por isso, água era oferecida o tempo todo.

Seguimos direto, sem parada, até a bica que fica depois da Praça do Caratuva. Ali tiramos o Oliver um pouco da mochila para andar e mexer na água. Ficar muito tempo sentado também não é legal para os pequenos.

Era hora de trocar a fralda e deixar ele um pouco mais solto, mesmo que o terreno não colaborasse muito para isso.

Carregar uma criança exige um ritmo diferente. A caminhada precisa ser agilizada, mas não dá para ficar dando solavancos, saltos, movimentos bruscos ou qualquer coisa que gere impacto para quem está na mochila.

Nas descidas, principalmente, é preciso ter muito cuidado. Não dá para simplesmente pisar com impacto no degrau de baixo, mesmo que ele seja alto. É preciso descer e chegar ao próximo degrau sem aquele impacto.

Só que isso vai desgastando as pernas muito rápido. Elas vão queimando a cada descida. Eu prefiro subir do que descer com eles.

Também não fico tentando livrar os meninos de todo mato em que nos enroscamos durante a caminhada. Desde a primeira experiência, todos aprenderam que precisam se abaixar ou proteger o rosto dos galhos e da vegetação por onde passamos. Não tem como querer ficar cuidando disso o tempo todo.

Geralmente voltam para casa com algum tipo de arranhão, seja de galhos mais firmes ou de capim-navalha.

Na chegada da primeira janela onde não havia vegetação alta para proteger do sol, fizemos mais uma parada. Agora os cuidados eram com a proteção solar: passamos protetor e melhoramos o “toldo” da mochila, tentando evitar ao máximo que o sol pegasse diretamente no Oliver, que tem a pele bem branquinha.

Durante todo o trajeto, também procurávamos mostrar alguma coisa diferente para ele. Galhos, folhas, pequenos animais e os passarinhos cantando. Qualquer coisa servia para chamar a atenção e tornar a caminhada mais interessante.

O dia estava bonito e a montanha, cheia. Oliver era motivo de espanto para praticamente todo mundo que cruzava conosco e percebia um bebê dentro da mochila.

No Abrigo 2, fizemos mais uma parada para trocar a fralda e deixar o Oliver correr um pouco. Ali o terreno era plano e mais tranquilo para ele brincar.

Eu também precisava dar um descanso para as pernas. Uma coisa é carregar uma cargueira, que não precisa se preocupar se vai sacudir ou não. Outra coisa é carregar carga viva sensível! rsrsrs

O último trecho até o cume foi rápido, mas bem cansativo. O calor geralmente me desgasta bastante e, dessa vez, ainda havia a tensão de estar com meu netinho nas costas. Os sentidos ficam redobrados para não cometer nenhum erro, e isso acaba desgastando ainda mais.

O trecho final foi especial para nós. Estávamos ali com mais um netinho subindo a montanha mais alta do Sul do Brasil, em um dia lindo.

Foram 5 horas e 20 minutos de caminhada para chegar ao cume.

Oliver Cequinel de Loureiro Lima, com 1 ano e 12 dias de vida, é a criança mais nova a estar no cume do Pico Paraná, acompanhado dos avós Natan Fabricio de Loureiro Lima e Luiza Bilinoski de Loureiro Lima.

Durante todo o percurso, não teve um choro ou reclamação. Ficou atento a tudo o que acontecia ao seu redor e balbuciava várias vezes alguma coisa que nunca entendíamos o que era. Mas, pelas carinhas de alegria e surpresa, devia ser algo legal.

Minha linda esposa, sempre muito cuidadosa e atenciosa com as crianças, carregava toda a carga que precisávamos levar, principalmente a grande quantidade de água.

Muito obrigado por ser sempre minha parceira.

Aos pais, meu filho Gabriel de Loureiro Lima e minha nora Daniela Cequinel de Loureiro Lima, muito obrigado pela confiança que depositaram na gente para estar com o pequeno em uma montanha longa como foi o PP.

Agradeço a Deus por me dar a chance de aproveitar momentos incríveis e únicos com as pessoas que amo, justamente no lugar onde dedico minha vida: as montanhas.

Ter a condição técnica, física e psicológica de poder levar meu neto — na verdade, mais um neto — para o Pico Paraná, tenho certeza que é um privilégio para poucos.

O retorno foi muito parecido com a subida, sempre com todo o cuidado e atenção.

Caminhamos por um bom tempo à noite. Oliver estava cansado e dormiu por um período maior do que na subida. A temperatura caiu e agora a preocupação era outra: não deixar o menino ficar com frio.

Nós, que estamos caminhando, não sentimos tanto a queda de temperatura. Mas eles, que ficam parados muitas vezes com o vento, podem ficar gelados se não estiverem bem agasalhados.

Chegar ao carro é uma felicidade. Todos seguros, cansados e com um dia na montanha mais do que especial.

Foram 10 horas e 30 minutos no total, saindo do carro e retornando para o carro na Fazenda Rio das Pedras.

Se você pensa em levar seu filho para a montanha, leve! Vale muito a pena!

Comece com pequenas caminhadas, vá com eles no mercado para começar a se adaptar com a mochila e não demore muito para fazer isso.

Eles crescem muito rápido!

Boa montanha a todos!

NO FINAL DA FOTOS, VÍDEOS COMPLETO DA CAMINHADA.

Inicio da caminhada.

Passando pelo Getúlio.

Praça do Caratuva – Bifurcação entre as montanhas do Caratuva e Pico Paraná.

Na bica d´água também era o momento de soltar o menino um pouco no chão.

Brincando com a vó na primeira janela.

Natan, Oliver, Luiza e Pico Paraná ao fundo.

Vovô e netinho.

Mais um cochilo.

Quase lá …

No cume do PP abrigado do sol.

Cume do Pico Paraná!

Oliver se acostumando com o vento no cume.

Um belo registro desse dia incrível.

Já no final do dia, Oliver cansado de toda a caminhada.

Depois que anoiteceu, dormiu quase o caminho todo.

VÍDEO COMPLETO DA CAMINHADA