Itacoatiara e a Agulha Guarischi: Rocha, Mar e Muito Calor
Itacoatiara é um bairro da Região Oceânica de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Abriga algumas montanhas com paredes lindas para escalada. A Agulha Guarischi é uma delas e, na minha opinião, tem um dos cumes mais legais que já estive.
Mesmo sendo um lugar bem longe de casa — moro em Curitiba — essa já deve ser a minha quinta visita nessa montanha incrível.
Em plena lua de mel com a Luiza, Itacoatiara estava no roteiro da nossa viagem rumo às terras capixabas. Pleno mês de dezembro, véspera de Natal, com previsão de dia ensolarado e temperatura chegando aos 39 °C. Para quem vem de longe, tem oportunidades que simplesmente não dá para deixar passar.
Para escalar a Agulha Guarischi, a caminhada começa na portaria do Parque Estadual da Serra da Tiririca. A primeira dificuldade foi achar vaga para estacionar. Dia de sol forte, praia cheia e praticamente nenhum espaço disponível.
Entramos no parque por volta das 11 horas para fazer o cadastro. O guarda-parque apenas alertou sobre o calor intenso, que poderia ser um problema na parede, mas em nenhum momento tentou nos impedir. Pelo contrário, fomos muito bem atendidos e orientados.
A caminhada é curta, mas pode gerar dúvida no final.
Seguindo pela trilha principal, em poucos minutos chegamos ao colo da montanha, onde há a primeira bifurcação: à direita segue para o Morro do Costão (ou Morro do Tucum) e, reto descendo, continua o caminho para a base.
A trilha segue em direção ao mar e depois entra levemente à esquerda. Chegando a um conglomerado de pedras, conhecido como Bananal, a trilha continua discretamente à esquerda, marcada por alguns totens. Seguindo por eles, mais uma bifurcação: novamente à esquerda para a base da via. A trilha da direita é o retorno da escalada.
Toda essa aproximação leva cerca de 20 minutos.
A primeira enfiada é a mais difícil da via. A primeira proteção é alta, principalmente para quem não está acostumado com espaçamento maior. Logo no início, após a segunda ou terceira costura, tem um lance delicado, e outro mais no meio da enfiada.
Usamos corda de 60 metros — necessário, já que essa primeira enfiada tem cerca de 55 metros até uma parada bem confortável.
Enquanto dava segue para a Luiza, fiquei exposto ao sol, com vento quase inexistente. Ali tive certeza: nosso maior desafio naquele dia não seria a escalada em si, mas o calor.
A segunda enfiada começa à esquerda de um trecho de vegetação logo acima. Contorne esse mato e retorne para a parede à direita. Nesse ponto existe uma proteção que acabei não vendo e passei direto. A linha segue em diagonal para a direita, com movimentação fácil e intuitiva.
A via foi regrampeada recentemente, e as chapas prateadas na rocha clara ficam um pouco difíceis de visualizar — atenção nisso.
A terceira enfiada segue praticamente em linha reta, na beira da aresta, com um visual incrível. São cerca de 40 metros bem tranquilos, sem problema de orientação.
Da P3 para a P4 há uma pequena caminhada pela mata, chegando a um platô confortável e protegido do sol — ótimo ponto para descanso ou alimentação. Dali também começa a trilha de descida da Agulha Guarischi, sem necessidade de rapel. Nas outras vezes que estive ali, sempre desci rapelando todas as enfiadas. Dessa vez já tinha a informação dessa alternativa.
A escalada fluía bem, o visual incrível, mas o calor começava a pesar mais do que o esperado. Até a GoPro parou de funcionar por causa da temperatura.
Restavam mais três enfiadas até o cume, e tratamos de agilizar ao máximo para sair do sol. A linha segue praticamente reta, sem dúvidas de navegação.
Enquanto eu dava segue, via a Luiza tentando não manter as mãos muito tempo na rocha para não queimar as pontas dos dedos. De longe, só escutava ela xingando e reclamando da rocha “fervendo”.
Foram cerca de 2h30 de escalada até o cume da Agulha Guarischi.
O visual é fantástico — cercado por montanhas e pelo mar — sem dúvida um dos cumes mais bonitos que já conheci.
No auge do calor carioca, começamos a descer o mais rápido possível. Precisávamos sair do sol.
Fizemos alguns rapéis até retornar ao platô da quarta enfiada. A trilha de descida segue à esquerda, com início íngreme e escorregadio. Nada absurdo, mas exige atenção.
Logo no começo passamos por um trem de pouso de avião. À medida que a inclinação diminui, a trilha fica menos evidente e com poucos totens — não é difícil, mas exige atenção.
Em pouco tempo já estávamos de volta à portaria, dando baixa no cadastro.
Dali em diante, era só aproveitar o resto do dia na praia.
Montanha e escalada 5 estrelas. Vale muito a pena conhecer esse cume.
Um forte abraço e boas escaladas!
No final das fotos, vídeo completo da escalada!













