Via Elektra: Escalada Tradicional na Pedra da Ana Chata

Via Elektra: Escalada Tradicional na Pedra da Ana Chata

12 de abril de 2026 0 Por Natan

O complexo da Pedra do Baú, na cidade de São Bento do Sapucaí, tem uma variedade de escaladas muito divertidas. A Pedra da Ana Chata concentra diversas linhas de escalada tradicional com graduação bem acessível.

A via Elektra (4º V E2 D2 – 205 metros) é uma das clássicas da Ana Chata e também faz parte das 50 vias clássicas do Brasil.

Eu e a Luiza estávamos na cidade para participar do Seminário Paulista de Escalada e, principalmente, para a entrega da premiação do Mosquetão de Ouro, que aconteceria durante a Festa da Montanha, organizada pelo Eliseu Frechou.

Na primeira brecha que tivemos para escalar, seguimos para a Pedra da Ana Chata, que fica bem próxima da cidade. Estacionamos no Chico Bento — local seguro, com taxa de R$ 30 para o dia — e já com cadastro sendo feito por um funcionário do parque.

A caminhada até a base das vias na face norte não tem muito erro. Segue pela trilha principal, bem sinalizada. Após cruzar um pequeno riacho, a trilha entra na mata — até então o percurso é todo em campo aberto. Logo depois, a trilha principal faz uma curva acentuada à esquerda. Nesse ponto, à direita, sai uma trilha menos batida, com uma identificação (foto abaixo). Até ali levamos cerca de 22 minutos.

Seguindo por essa trilha secundária, foram mais 15 minutos até a base, com um trecho bem mais íngreme. Já margeando a parede para a direita, em cerca de 4 minutos chegamos na via.

A escalada tem 5 enfiadas e exige cerca de 8 costuras e um jogo de peças do 0.5 ao 2.

A Luiza começou guiando a primeira enfiada. A primeira chapa fica meio escondida entre galhos e folhas de uma árvore encostada na parede, mas sem dificuldade para acessar.

O croqui indica que, após a quarta proteção, a linha segue à direita entre os matos. Foi o que ela fez, mas acabou entrando em cima de um grande platô de vegetação. Durante a procura pela parada, avistou as chapas alguns metros abaixo.

Depois de reclamar e xingar bastante, não teve jeito: precisou desescalar até a última proteção e, de lá, corrigir a linha, seguindo à direita entre os dois platôs de mato para acessar a parada.

Foram momentos tensos. Eu não podia ajudar em nada além de garantir a segurança preparado para uma possível queda. Após alguns minutos de tensão, ela conseguiu ajustar o caminho e chegar na P1.

Quando subi, entendi o erro. Sem perceber, ela pulou a segunda proteção, costurando da primeira direto na terceira. No ponto onde deveria sair para a direita, acabou seguindo reto em busca da quarta chapa.

Na parada, ela estava feliz por ter resolvido a situação sozinha, mas também com a cota de sustos do dia já preenchida. A partir dali, assumi as guiadas até o final da via.

A segunda enfiada não apresenta grandes dificuldades de orientação, com alguns regletes em pontos específicos. Após a costura seguinte à parada intermediária indicada no croqui, a linha segue um pouco mais à direita do que aparenta no desenho.

A terceira enfiada já é mais vertical. Após a segunda proteção (desconsiderando o piton), não é possível ver a próxima chapa. A tendência natural é seguir por canaletas à esquerda, onde dá para proteger com peça nº 2 ou 1. Ao corrigir a linha para a direita, a próxima proteção aparece. Dali até a parada, em uma árvore, a linha é bem evidente.

A quarta enfiada, para mim, é a mais divertida. Utilizei praticamente todas as peças. A linha segue por uma fissura até o trecho mais vertical, onde vira para a esquerda até a parada. Tudo muito lógico e intuitivo.

A última enfiada tem um lance interessante após uma diagonal à esquerda, para vencer uma pequena “barriga” com regletes levemente escorregadios. Em dois movimentos bem executados, passa o crux e segue tranquilo até a parada final.

Se estiver ventando, a comunicação com o parceiro fica ruim, e não há contato visual do final da via com o parceiro ficou na última parada.

A Luiza gostou muito da escalada — e com razão. É uma via realmente divertida, com uma orientação até que tranquila e com lances de agarra e aderência.

A descida é simples: basta seguir a trilha a partir do cume, bem marcada e sinalizada.

Aproveitem a escalada!

Trilha principal bem sinalizada.

Essa sinalização esta bem na frente da trilha secundaria que precisa entrar para chegar na base das vias.

Inicio da trilha secundária que leva até a base da parede.

Inicio da via Elektra

Luiza na P1

Na primeira enfiada, essa é a quarta proteção e o ponto que precisa seguir a direita. NÃO seguir para o grande platô que esta vendo, precisa passar por baixo dele.

Luiza chegando na P2

Natan e Luiza na segunda parada da via Elektra

Luiza chegando na terceira parada.

4° enfiada, toda em móvel.

Cume da Ana Chata. Pedra do Baú ao fundo.